A prisão do piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, ocorrida na manhã desta segunda-feira (9/2), em São Paulo, trouxe à tona um caso de extrema gravidade envolvendo a suspeita de exploração sexual de crianças e adolescentes. Funcionário da companhia aérea Latam Airlines Brasil há quase três décadas, Sérgio Antônio Lopes foi detido durante os procedimentos de embarque de um voo com destino ao Rio de Janeiro, no Aeroporto de Congonhas.
Documentos indicam que o piloto ingressou na empresa em março de 1998, ainda na época da TAM Linhas Aéreas, companhia que encerrou suas atividades em 2016 após a fusão que deu origem à Latam. Ao longo de 28 anos de carreira, Sérgio Antônio Lopes construiu trajetória profissional na aviação comercial, agora abruptamente interrompida pelas investigações criminais.
Além do piloto, uma mulher de 55 anos também foi presa na mesma operação. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), ela é suspeita de integrar uma rede criminosa estruturada voltada à exploração sexual de menores. As investigações apontam que a mulher teria facilitado os crimes ao permitir que as próprias netas meninas de 10, 12 e 14 anos fossem submetidas aos abusos.
As prisões ocorreram no âmbito da Operação “Apertem os Cintos”, deflagrada pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, da Polícia Civil de São Paulo. O nome da ação faz referência direta ao setor aéreo e à atuação do principal investigado. De acordo com os investigadores, o piloto foi abordado dentro da aeronave, já posicionado para o voo, mas a intervenção policial não causou atrasos nem cancelamentos. A aeronave decolou e pousou dentro do horário previsto.
Até o momento, três vítimas menores de idade foram formalmente identificadas. Duas delas tinham 11 e 12 anos à época dos fatos, enquanto a terceira tinha 15 anos. Conforme informações da polícia, todas teriam sido expostas a situações consideradas extremamente graves, envolvendo abuso e exploração sexual reiterados.
Além da prisão de Sérgio Antônio Lopes e da mulher, a operação também cumpriu outro mandado de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados, em endereços localizados na capital paulista e no município de Guararema, na Grande São Paulo. Materiais apreendidos deverão passar por perícia e podem ampliar o número de envolvidos e de vítimas.
Em nota oficial, a Latam Airlines Brasil confirmou que o piloto foi preso durante o embarque do voo São Paulo (Congonhas) Rio de Janeiro (Santos Dumont). A companhia informou ainda que abriu uma investigação interna e afirmou estar colaborando integralmente com as autoridades. “A Latam repudia qualquer tipo de conduta dessa natureza e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança, ética e comportamento profissional”, diz o comunicado.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trabalha para identificar possíveis novas vítimas e esclarecer a extensão da atuação da suposta rede criminosa. Os investigados poderão responder por crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cujas penas incluem longos períodos de reclusão.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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