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    Início » Guerra no Irã, 7º dia: o que aconteceu até agora
    Brasil

    Guerra no Irã, 7º dia: o que aconteceu até agora

    7 de março de 2026
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    A imagem mostra uma área urbana densamente construída vista de cima, o sul de Beirute, com diversos prédios residenciais espalhados até o horizonte. No centro, uma grande coluna de fumaça cinza sobe entre os edifícios, resultado de uma explosão ou recente que levanta poeira e destroços.

    Crédito, Khalil/Reuters

    Legenda da foto, Fumaça após ataque israelense nos subúrbios de Beirute, capital do no Líbano
    Article Information

      • Author, BBC News Brasil em Londres
    • 6 março 2026

      Atualizado Há 2 horas

    • Tempo de leitura: 7 min

    A guerra no Oriente Médio entra no seu sexto dia nesta quinta-feira (5/3) com notícias de novos ataques de Israel e Irã.

    O governo americano afirmou que vai intensificar as ações contra o território iraniano — e os efeitos já são relatados por civis.

    Apesar da intensificação, Trump descartou, em entrevista à NBC News, o envio de tropas terrestres ao Irã e afirmou que isso seria uma “perda de tempo”. “Eles já perderam tudo. Perderam a Marinha. Perderam tudo o que podiam perder”, disse.

    Confira abaixo os principais acontecimentos mais recentes.

    A imagem mostra uma rua de Beirute cercada por prédios danificados, com uma grande estrutura parcialmente destruída e montes de escombros espalhados pelo chão. Algumas pessoas caminham entre os destroços enquanto edifícios ao redor exibem sinais de colapso.

    Crédito, Reuters

    Legenda da foto, Escombros de prédios em Beirute, no Líbano, após ataques israelenses

    ‘Cada dia parece um mês’

    Os iranianos e os libaneses dizem já sentir os efeitos da intensificação dos ataques. Repórteres da BBC enviados a diversas regiões do Oriente Médio conseguiram conversar com algumas pessoas dentro do Irã, apesar da interrupção de acesso à internet. Veja o que eles disseram:

    “O número de explosões, a destruição, o que está acontecendo, é inacreditável”, diz Salar, cujo nome foi alterado para preservar sua segurança, em Teerã. “Cada dia parece um mês. O volume de ataques é altíssimo.”

    “A casa tremeu sem parar por cinco minutos. A noite passada foi a pior”, disse um homem de 30 e poucos anos.

    “Acordei com o som de explosões às 5h da manhã e não consegui dormir desde então”, afirmou uma mulher, também na capital do Irã.

    “Foi terrível. As explosões eram tão fortes que todas as janelas tremiam. Parecia que um dragão estava rugindo”, contou outra mulher.

    Em Beirute, a situação também se agravou. As pessoas que foram forçadas a deixar suas casas procuram qualquer lugar que lhes pudesse oferecer abrigo. Dentro do Teatro Nacional, duas famílias dormiram em colchões com vista para o palco.

    Mohamed Baydoun conta que fugiu de sua casa na cidade de Tiro, no sul do país. “Eles não estão dando um alvo específico. Estão mandando as pessoas saírem de áreas inteiras”, diz o homem, de 73 anos, sobre as ordens de evacuação em massa emitidas por Israel.

    “Não há misericórdia, o inimigo não tem misericórdia”, acrescenta. Mohamed diz que esta guerra “é diferente de todas as outras” que já viveu, mas afirma não ter medo. “Tudo o que acontece com você é o que Deus escreveu para você.”

    Explosões em aeroporto de Teerã e ataque à base da ONU no Líbano

    Explosões foram registradas no Mehrabad Airport, um dos principais aeroportos comerciais de Teerã.

    Imagens compartilhadas nas redes sociais na madrugada de sábado (horário local) mostram aviões em chamas e grandes colunas de fumaça no local.

    A mídia estatal iraniana informou que algumas partes do aeroporto foram atingidas.

    O ataque ocorre depois que as forças armadas israelenses anunciaram o lançamento de uma “nova onda de ataques em larga escala” no país.

    Israel já havia atingido o aeroporto em 4 de março, alegando que os bombardeios destruíram sistemas de defesa e detecção que representavam uma ameaça à Força Aérea Israelense, incluindo a seção de fabricação de helicópteros do aeroporto.

    Ainda não está claro quais partes do aeroporto foram bombardeadas no novo ataque, mas testemunhas afirmam que o bombardeio desta noite foi muito mais intenso.

    Mais cedo, um ataque de Israel atingiu uma base no sul do Líbano pertencente à Força Interina das Nações Unidas (Unifil), missão de paz da ONU.

    Três militares de Gana, que atuavam na missão, foram feridos.

    A ação foi classificada como “um possível crime de guerra” pela Unifil.

    Joseph Aoun, presidente do Líbano, pediu a aliados que ajudem a impedir os ataques israelenses contra seu país.

    O presidente da França, Emmanuel Macron, se manifestou sobre o ocorrido, condenando o ataque israelense, e reiterou a necessidade de respeitar a “soberania e a integridade territorial” das nações.

    Trump exige ‘rendição incondicional’ do Irã

    Nesta sexta, Donald Trump usou as redes sociais para dizer que não aceitará nenhum acordo com o Irã “exceto uma rendição incondicional” — algo que o governo iraniano parece, até o momento, relutante em considerar.

    “Depois disso, e da escolha de um(a) grande e aceitável líder, nós, e muitos de nossos maravilhosos e corajosos aliados e parceiros, trabalharemos incansavelmente para trazer o Irã de volta da beira da destruição, tornando-o economicamente maior, melhor e mais forte do que nunca. O Irã terá um grande futuro! Faça o Irã grande novamente”.

    A publicação do presidente americano dá sinais de que os EUA pretendem continuar a guerra até que o governo em Teerã se renda completamente.

    Trump também afirmou que o próximo líder do Irã terá de “tratar bem os Estados Unidos e Israel”.

    Mais de 1.300 civis mortos no Irã

    O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmou que 1.332 civis foram mortos em decorrência dos ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o país desde sábado.

    Em declarações à imprensa na sede da ONU em Nova York, Iravani disse que, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, mulheres e crianças estavam entre os mortos.

    “Milhares de pessoas ficaram feridas, e o número continua a subir”, disse ele, acrescentando que escolas, hospitais e outras infraestruturas civis foram alvos “deliberados”.

    Os EUA negam ter como alvo infraestruturas civis, embora estejam investigando um ataque a uma escola feminina no Irã, que teria deixado mais de 160 mortos, segundo as autoridades iranianas.

    Já Israel acusa o Irã de atacar seus civis.

    3.000 alvos atingidos no Irã

    O Comando Central dos EUA, que dirige as operações militares do país, afirmou ter atingido mais de 3.000 alvos no Irã.

    Cerca de 43 navios também foram danificados ou destruídos como parte da Operação Epic Fury.

    Os ataques estão sendo priorizados de acordo com “locais que representam uma ameaça iminente”, com o objetivo de “desmantelar o aparato de segurança do regime iraniano”, disse o comando em uma publicação no X.

    Ataques a Teerã e Beirute

    O Exército de Israel afirmou que seus ataques durante a noite tiveram como alvo o que chamou de “infraestrutura do regime” em Teerã, no Irã. Disse também ter atacado a “infraestrutura do Hezbollah” nos redutos do grupo armado em Beirute, no Líbano.

    O chefe das Forças de Defesa de Israel (IDF), Eyal Zamir, disse que a fase inicial de “ataque surpresa” envolveu o estabelecimento da “superioridade aérea” e alvejou locais que guardavam mísseis balísticos. Ele afirmou que haverá “surpresas adicionais” na próxima fase para “desmantelar ainda mais o regime”.

    Durante a noite, aviões de guerra israelenses realizaram sua 14ª onda de ataques contra o Irã desde sábado, com relatos de intensos bombardeios em Teerã e outras cidades.

    Sirenes de alerta de mísseis iranianos soaram repetidamente em Israel, com um aparente uso de uma ogiva de fragmentação, embora não tenha havido relatos de feridos.

    No Líbano, ocorreram mais explosões no sul de Beirute durante a noite, depois que os militares israelenses emitiram alertas para que as pessoas deixassem bairros inteiros, causando pânico.

    Tráfego no estreito de Ormuz

    Cerca de mil embarcações, metade delas formada por petroleiros e navios-tanque de gás, estão paradas no estreito de Ormuz, importante via para transporte de petróleo que foi fechada nos últimos dias, depois que o Irã foi bombardeado e iniciou uma série de ataques em retaliação contra vizinhos no Oriente Médio.

    A informação é de Neil Roberts, chefe da área marítima e de aviação da Lloyd’s Market Association (LMA), que representa as seguradoras que operam no mercado de seguros de Londres.

    “A maioria dos navios permanece ancorada, principalmente devido às compreensíveis preocupações dos armadores e comandantes com a segurança de suas embarcações e tripulações”, disse ele ao BBC Verify, serviço de checagem da BBC.

    Roberts afirma que, desde domingo, apenas cerca de 40 navios transitaram pelo estreito. Dados da empresa de análise de transporte marítimo Kpler divulgados na quarta-feira indicam que o tráfego na hidrovia está cerca de 90% menor em comparação com a semana anterior.

    Na terça-feira (3/3), Trump disse que a Marinha americana protegerá navios no Oriente Médio em rota pelo estreito. Ele também anunciou ter ordenado à Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos que forneça seguro contra riscos “a um preço razoável para o comércio que transita pelo Golfo”.

    Mapa mostra localização do Estreito de Ormuz no Golfo de Omã.



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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