Cláudio Oliveira
Repórter
Com nove trimestres consecutivos de crescimento e resultados recordes em lucro e margem, a Guararapes Confecções S.A., grupo que reúne as marcas Riachuelo, Casa Riachuelo, Carter’s, FANLAB, Midway Financeira e o Midway Mall, encerrou o terceiro trimestre de 2025 consolidando sua posição como um dos principais grupos de varejo de moda do país. O EBITDA Consolidado Ajustado (índice que mede o resultado operacional) alcançou R$ 402 milhões, um avanço de 14,8% em relação ao mesmo período de 2024 e o maior valor já registrado para um terceiro trimestre.
O resultado refletiu a forte performance operacional do grupo, especialmente nas áreas de varejo e crédito, e elevou a margem EBITDA (que mede a geração de caixa operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 16,4%, um aumento de 1,2 ponto percentual. O lucro líquido somou R$ 74 milhões, crescimento expressivo de 63% frente ao 3T24, sendo também o maior ganho já apurado pela Guararapes para o período.
Para Miguel Cafruni, Chief Financial Officer (CFO) da Riachuelo, o desempenho reflete a consolidação das estratégias implementadas e o fortalecimento do modelo de gestão. “São nove trimestres seguidos de crescimento de vendas, oito trimestres consecutivos de expansão de margem bruta, conectando com as nossas origens, com a nossa cultura e com os nossos valores”, disse.


O segmento de Mercadorias foi o principal motor do trimestre. As vendas em mesmas lojas (SSS) de vestuário cresceram 7,3%. Cafruni ressalta que mesmo num trimestre com desafios que passam pela diversidade climática e pela macroeconomia, houve forte aceitação das coleções, o que contribuiu para elevar a rentabilidade da operação. “Foram mais de 7% o crescimento de vestuário, uma expansão de praticamente 2.5 pontos de margem bruta”, enfatizou.
A margem bruta de vestuário que ele se referiu atingiu 57,3% na comparação anual, e representou o melhor resultado histórico para um terceiro trimestre. O EBITDA ajustado de Mercadorias somou R$ 256,3 milhões, crescimento de 19,2%, com margem de 14,2%, também recorde para o período.
A Midway Financeira, braço de crédito do grupo, foi outro destaque, registrando EBITDA de R$ 119 milhões, um aumento de 6,5% em relação ao terceiro trimestre de 2024. A instituição reforçou sua posição como um dos pilares de rentabilidade do conglomerado, com foco em crescimento sustentável e gestão rigorosa da carteira. “Um indicador super importante da financeira, o First Payment Default, que é a solidez do cliente no primeiro pagamento, foi o recorde de 4%. Então, os resultados demonstram essa consistência”, aponta o CFO.
Com mais de duas décadas de existência, a instituição reúne cerca de 5 milhões de clientes ativos e vem expandindo sua oferta de produtos e serviços além do tradicional crediário. “Tem um longo relacionamento com os clientes, que nos permite, através da primeira relação, que é o balcão, na hora da compra de moda, oferecer e estar presente no dia a dia com uma série de outros produtos”, explicou Cafruni.
Segundo ele, o produto de empréstimo, por exemplo, cresceu no trimestre 15%. Além do crédito pessoal, a Midway Financeira tem apostado em seguros e assistências e lançou nesta semana a primeira operação do empréstimo consignado. “A gente proporciona que o cliente tenha acesso a assistências odontológicas, a seguro wallet, por exemplo, para proteção de bolsa e carteira. É uma gama de produtos, tudo alicerçado por um programa de lojas que faz o cliente consumir, retornar e ficar, recebendo cashback e benefícios”, disse.
Inovação, marca e sustentabilidade
A Riachuelo também reforçou seus investimentos em marca e produto. Em 2025, o aporte na marca POOL foi triplicado, com destaque para o lançamento de uma linha premium de jeans e de duas coleções sustentáveis: a Pool Regen, com algodão regenerativo, que emite duas vezes e meia menos CO2 no ambiente do que quando o produto era feito na China, por exemplo; e a Pool Loop, com algodão reciclado.
“Então, é um crescimento consistente porque a gente está entregando cada vez mais valor para o consumidor”, explica o CFO, Miguel Cafruni.
As iniciativas fazem parte do compromisso da empresa com a moda circular e com práticas de menor impacto ambiental numa equação onde todo o ecossistema ganha. “Estamos dando esse acesso à moda, focando em produtos que entregam valor agregado, que estejam alinhadas às tendências de moda, que tenham conexão com a nossa essência brasileira, que sejam altamente sustentáveis”, reforça.
A companhia também vem ampliando o uso de tecnologia nos pontos de venda, com o objetivo de aprimorar a jornada do consumidor. Entre as inovações, está o self-checkout, que reduziu em 55,6% o tempo médio de transação nas lojas, oferecendo mais agilidade e eficiência no atendimento.
Sobre os planos de expansão, o CFO revelou que a companhia vive um momento de retomada, tanto no varejo quanto na área financeira. “Retomamos a expansão de lojas este ano. No ano passado abrimos uma Riachuelo; este ano vamos abrir entre seis e sete. A quinta já foi inaugurada essa semana.”
Ele ressaltou, no entanto, que a empresa mantém uma postura cautelosa diante do cenário econômico. “Os níveis de juros, a inadimplência e o endividamento das famílias são fatores que seguimos muito diligentes e atentos. Mas o Brasil nunca foi um país fácil, nunca foi um mercado tranquilo. Mesmo assim, continuamos crescendo, desenvolvendo emprego e renda, acelerando e, de maneira consistente, tocando o negócio”, observou.
Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.
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