Caio Bonfim muita gente conhece. Ele é campeão mundial e vice-campeão olímpico na Marcha Atlética. No Brasil, é o “Pelé” da modalidade e também uma esperança de pódio no futuro. Mas é provável que poucos conheçam João Sena Bonfim, o pai do marchador e responsável por revelar ele e inúmeros campeões no atletismo. Um homem que mudou o rumo de muitos candidatos a ídolo. Um homem que, aos 70 anos, é o protagonista do novo episódio de “Professores do Brasil”.

A série, original da ESPN e do Disney+, estreia na programação em 7 de março, às 22h (de Brasília).

Bom de conversa, engraçado e muito exigente, o professor João Sena nunca teve sua história contada detalhadamente por ninguém. Talvez porque ele também nunca tenha procurado visibilidade. Não é uma pessoa vaidosa. O que sempre apareceu foi o resultado do trabalho dele.

Sena é natural de Teresina e, muito cedo, mudou-se para Sobradinho, região administrativa do Distrito Federal, conduzido pela irmã mais velha, ao lado de sete irmãos. Alexandre, o pai, já tinha adotado a cidade alguns anos antes, quando foi recrutado para trabalhar nas obras que ajudaram a transformar aquela imensa área de terra vermelha na capital do Brasil, a partir de 1960.

Foi em Sobradinho que João Sena cresceu e descobriu o dom de revelar talentos no atletismo.

Ao servir ao Exército, em pleno regime militar, ele participou pela primeira vez de uma prova de corrida. Encantou-se. A prática o levou a cursar a Faculdade Dom Bosco, onde fez parte da primeira turma noturna de Educação Física de Brasília. Formou-se em 1979. De lá para cá, dedicou cada segundo da própria vida.

Além de ter criado um método próprio de treinos, que o fez melhorar o próprio desempenho, deixando de ser um “atleta mediano”, como ele mesmo diz, para passar a ter resultados expressivos, ele levou o atletismo para as escolas públicas, disseminando a prática para crianças e adolescentes e atraindo corredores.

Foi assim que descobriu seus primeiros talentos, como o sobrinho Alexandre César Bonfim, a futura esposa Gianetti Bonfim e Carmen de Oliveira, a primeira brasileira a vencer a Corrida Internacional de São Silvestre, em 1995, e até hoje considerada uma das maiores corredoras da América do Sul.

Sena formava campeões, mas havia uma barreira no processo que não permitia que ele desse continuidade ao trabalho. Como o projeto estava ligado à Secretaria de Educação de Sobradinho, assim que o atleta completava 17 anos ele passava obrigatoriamente para o Centro de Referência.

Foi ao notar esse “defeito”, como ele descreve, que João Sena criou o Caso: Centro de Atletismo de Sobradinho.

O projeto, que tomou forma em 1990, é até hoje respeitado como um dos maiores formadores de atletas de elite do esporte nacional. Para quem duvida desse potencial, um fato: pela primeira vez uma cidade da América do Sul vai sediar o Mundial de Marcha Atlética. Será em Brasília, em 12 de abril deste ano. O motivo da escolha?

Um deles foi João Sena e o trabalho de ponta com o atletismo no Distrito Federal, formando atletas, descobrindo talentos e formando cidadãos.

Toda essa trajetória, com mais de cinco décadas dedicadas ao atletismo, é o que o fã de esportes vai ver no novo episódio de “Professores do Brasil”.

“Já era para ter nascido a Escola Sena Bonfim, de tantos nomes que saem da mão desse homem. Normalmente as pessoas tratam isso como se fosse novidade. Não é novidade. Já é fato. Ele constrói, ele tem algo diferente. Tem que ser estudado, sim. A UnB, dentro dos seus cursos de Educação Física, tem que saber o que que acontece, o que que ele faz de diferente”, disse Carmen de Oliveira, em forte desabafo, ao programa.



Notícia publicada originalmente por www.espn.com.br –
em nome do autor .

Acesse a matéria completa

Compartilhar.
Exit mobile version