O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou acesso à defesa do empresário Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, ao processo do inquérito da Polícia Federal (PF) sobre as investigações da Farra do INSS.

A defesa do filho mais velho do presidente Lula, exercida pelo advogado criminalista Guilherme Suguimori Santos, havia pedido acesso aos autos do processo em 19 de janeiro.

Lulinha foi citado pela PF como possível sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O filho do presidente é suspeito de ter recebido mesada do empresário no valor de R$ 300 mil, segundo o depoimento de uma testemunha. A defesa nega.

As menções a Lulinha


As citações a Lulinha aparecem em três núcleos de dados, obtidos a partir da quebra de sigilo de investigados ligados ao Careca do INSS, preso desde setembro sob suspeita de comandar esquema milionário de fraudes previdenciárias.

A corporação comunicou o Supremo Tribunal Federal (STF) que, durante a análise de materiais apreendidos na investigação da fraude do INSS, surgiram referências ao nome de Lulinha.

Quebra de sigilo


A pedido da PF, o ministro do STF autorizou a quebra de sigilo bancário de Lulinha.

Já a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprovou, na última quinta-feira (26/2) a quebra do sigilo bancário e fiscal de Lulinha em uma reunião tumultuada. A base governista contesta a contagem de votos e acusa a Presidência do colegiado de ter aplicado um golpe.

Guilherme Suguimori tem reiterado que Fabio Luís não está envolvido na fraude do INSS e que não é sócio oculto do Careca do INSS. A defesa também diz que Lulinha nunca “recebeu valores” do emprésario.

“Prestaremos esclarecimentos sobre os fatos ao STF, foro adequado para a apuração”, informou o advogado à reportagem.

Em janeiro deste ano, novas mensagens em posse da PF mostram que o Careca do INSS mandou entregar, em dezembro de 2024, um medicamento para o apartamento em que Lulinha morava em São Paulo. A encomenda era endereçada a Renata Moreira, esposa de Lulinha.

Procurado à época, Fábio Luís declarou desconhecer o assunto e negou qualquer relação de proximidade Antônio Antunes.

Investigado admitiu visita à fábrica de cannabis

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, afirmou a pessoas próximas que viajou e se hospedou em Portugal com contas pagas por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Lulinha viajou ao país para visitar uma fábrica de produção de cannabis para fins medicinais, mas negou que as conversas tenham avançado ou que tenha recebido dinheiro do lobista. O Careca é investigado por supostos desvios bilionários em um esquema de fraudes em aposentadorias.

A relação entre os dois foi confirmada por um ex-funcionário do Careca, que disse à Polícia Federal que eles eram sócios. Também afirmou que o lobista pagava uma “mesada” de R$ 300 mil a Lulinha.

De acordo com o jornal, o filho do presidente teria voado com Antunes a Portugal em 2024, de classe executiva. Ficou hospedado às custas do Careca e teve um convite para ser sócio do lobista, mas que ele afirma ter recusado. Ele teria visitado um galpão e uma fábrica de cannabis no país.

A defesa de Lulinha nega que ele tenha ligações com os esquemas do INSS e diz que Lulinha não foi sócio nem recebeu dinheiro do Careca do INSS. “Prestaremos esclarecimentos sobre os fatos ao STF, foro adequado para a apuração, motivo pelo qual considero inoportuna a antecipação da discussão de matéria fática no foro público da imprensa”, diz a nota da defesa.

Os advogados também afirmam que “Fábio não tem relação com o esquema do INSS, só soube do envolvimento de Antonio Camilo Antunes após a exposição da imprensa, não foi seu sócio, não prestou serviços a ele e não recebeu valores”.

Amiga em comum


Segundo o Estadão, Lulinha diz que conheceu Antunes por uma amiga em comum, Roberta Luchsinger. Ela também é investigada pela PF. Ela se aproximou de Lulinha após concorrer a deputada estadual em 2018, sem sucesso, e se oferecer para doar R$ 500 mil a Lula durante a Operação Lava Jato, em que o presidente teve as contas bloqueadas. A doação foi impedida pela Justiça.

O Estadão não localizou a defesa de Roberta. O Careca do INSS não quis se manifestar.

Em relação ao Careca, Roberta teria se encontrado com ele no Ministério da Saúde, segundo o site Metrópoles. Ele queria oferecer os serviços da World Cannabis, sua empresa de maconha medicinal. A empresa nega o vínculo.

Antunes queria comprar um local para produção da planta em Aveiro, em Portugal. Nessa ocasião, então, teria viajado com Lulinha para conhecer o espaço. O filho do presidente afirmou a interlocutores que pretende admitir que realizou a viagem e que o Careca pagou pela visita.



Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.

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